Pró-labore: quanto retirar sem quebrar sua PJ nem sua vida pessoal
Como calcular o pró-labore ideal para autônomos, MEIs e sócios de PJ. Fórmula prática, exemplos e armadilhas comuns.
Retirar pouco: você vive apertado sem motivo. Retirar demais: quebra a PJ no primeiro mês fraco. O pró-labore ideal fica no meio — e tem fórmula.
A regra dos 12 meses
Pró-labore é o seu salário. E salário não pode variar toda semana. A regra que funciona para 90% dos autônomos:
Traduzindo: pegue o pior mês do ano, tire dele impostos + custo fixo da PJ, e retire só 70% desse valor. Os outros 30% ficam de colchão. É conservador de propósito — e é o que te dá previsibilidade.
Exemplo com números
Imagine um designer freelancer nos últimos 12 meses:
| Item | R$ |
|---|---|
| Pior mês (faturamento bruto) | 8.000 |
| − Impostos (Simples 6%) | −480 |
| − Custo fixo PJ (contador, ferramentas) | −1.200 |
| Líquido do pior mês | 6.320 |
| × 0,7 | 4.424 |
| Pró-labore mensal | ≈ 4.400 |
Nos meses acima da média, a diferença não vai para a PF — vai para a Reserva PJ. É essa reserva que paga o pró-labore no mês em que ninguém contratou você.
Quando ajustar
- Subir: só depois de 6 meses consecutivos batendo faturamento acima da média e com Reserva PJ ≥ 3 pró-labores.
- Descer: sempre que a Reserva PJ cair abaixo de 2 pró-labores. Pró-labore é o último a subir e o primeiro a descer.
3 armadilhas fatais
- Pró-labore variável. Se o valor muda todo mês, sua vida pessoal vira uma montanha-russa e é impossível montar reserva.
- Esquecer o 13º. Todo mês guarde 1/12 do pró-labore para dezembro. Não é luxo — é fôlego pro início do ano.
- Contar dinheiro que ainda não caiu. Fatura emitida ≠ dinheiro na conta. Só o que já compensou entra na base do cálculo.
Coloque em prática
Faça isso automático — sem planilha.
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